E se considerássemos que não há racismo?
Que não há xenofobia, homofobia e quaisquer outras discriminações?
Que não precisamos realmente dizer à nossos filhos que temos de lutar contra aqueles que são agentes do preconceito? E se apenas lhes dissessemos: “Crianças, não há problema. Nunca houve. Talvez apenas um: O de considerar tudo isso como um problema. Como um grande problema”.
Porque talvez de fato nunca tenha havido um problema. Nós os criamos após uma série de contextos históricos afim de justificar outras séries de contextos históricos. Mas não faz mais parte de nós. Não de nossa geração. Ou, ao menos, não deveria fazer.
Porque o preconceito muitas vezes não esta em uma ação, mas enraizado na mentalidade daquele que interpreta a ação. E então, aí sim, as ações surgem.
Enquanto considerarmos que precisamos de soluções, criaremos mais contra-problemas na realidade.
Para citar alguns: Que tal uma marcha pelos direitos dos heterossexuais? Uma luta afim de se valer a preservação de uma dignidade idealizada desde sempre por pessoas que já não estão entre nós ou mesmo por um livro que fora escrito em uma época e que desde sempre as pessoas seguiram a interpretando a seu favor afim de justificar diversos ideais? Ideais esses que não mais são também do que mais contra-problemas? Ideais esses que, no fim, apenas nos leva a mais marchas, a mais disputas por direitos e a mais marchas por mais lutas por direitos descambando em um ciclo vicioso completamente – e será que sou só eu que já cansei de toda essa disputa por moral e ética sem fundamento? - leviano.
Leviana sim, e porque não? Onde está a lógica em criarem-se ideais que batem de frente àquilo que supostamente deveriam proteger acima de tudo? A felicidade. A preservação desse que sim, deveria talvez, ser considerado o maior dos ideais a ser seguido: O direito de ser feliz.
E sabe do que mais?
Independente de seus ideais e idependente do quanto a felicidade de alguém interfira em seus ideais, ideal algum tem direito de interferir na felicidade.

Apenas, tentemos fazer o bem uns aos outros para variar. Apenas, tentemos esquecer um pouco de nossa própria lógica sempre crítica demais, sempre tacanha demais, e considerar que não há debates necessários quando não há o que se debater. Apenas, porque não insistir um pouco que somos todos pessoas ferradas desde sempre e que podemos descobrir naquele em que criticamos por sua cor, sua orientação sexual ou sua origem seja de qualquer espécie, um conforto amigo.
É o que todos precisamos: Compreensão acima de qualquer julgamento.

Se você acredita em Deus, acredite que ser bondoso algum condenaria você por amar o próximo. Mesmo que o próximo não seja Cristão.
Se você não acredita, lembre-se que sua ideologia não precisa necessariamente ser A ideologia.
Se você tem uma determinada orientação sexual, não subestime o conforto amigo que pode encontrar em alguém com uma orientação distinta à sua.
Toda essa suposta diferença entre nós, nunca existiu na verdade. Acredito também que nunca estivemos mais juntos. Só que, pelos motivos errados.

Todos nós somos no fim, menos do que poderiamos ser, e mais do que acreditamos. E essa é a prova de que nossa verdade, pode estar longe de ser A verdade.

Talvez alguém pense: “o autor deste texto não quer ver o preconceito. Não quer lidar com este problema”.
O que gostaria muito, na verdade, é que considerassemos o que esta acima disso: Nós. Todos nós.


8:56:00 PM



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