A nova alma em carne suja
vindoura de um choro de lamento
não diria amar sua mãe
não diria amar ninguém

Ela tem fendas escuras
em seus olhos, em cada aspecto de sua pele
uma pele escamosa e esbranquiçada
Não amaria sua mãe e não amaria ninguém

Seria exposta como um milagre de seu próprio Deus sorridente em luxúria
o bebê morto das mãos da luz do espelho do Paraíso
Não choraria por sua mãe
Não choraria por ninguém

Sua boca, seria costurada
Seus lábios muito cinzentos, seriam o esmorecer da solidão jamais sentida
Sua virgem de Trevas rezaria um cântico de sangue e fé
Sua fé seria a própria sinceridade dos desesperados

O bebê estenderia suas mãozinhas muito tímidas,
se mãos tivesse
E forçaria um sorriso doce e gentil
Se seus lábios não fossem costurados em um esgar débil típico do Éden

A criança se pudesse, cresceria
e cometeria o pecado original repetidas vezes
Caminharia, se pés tivesse
Sobre uma estrada asfaltada por corpos lânguidos e sussurantes por acalento

Como homem usurparia o trono daqueles que se julgam justos
Lutaria uma luta sem vitoriosos
apenas pelo prazer do fim
Esse seria seu desejo

Se sentimentos ele tivesse...
Se crescer ele pudesse.


4:00:00 AM



5 responses to "O Bebê Destroçado"

  1. Ludimila Pinheiro disse...

    Maravilhosoo Francis, perturbadoramente maravilhoso!

    F. D. Oliver disse...

    Luh, obrigado por seu comentário linda. Como sempre, me deixando honrado. ;)

    Peewee disse...

    Assustador! Mas eu penso que as palavras descrevem alguem aparentemente em busca de respostas. Ou na pior das hipóteses com excesso de respostas e ausências de perguntas. Se eu fosse descrever algo a mais provavelmente não terminaria hoje.Todavida, o texto está empolgante. Incisivo como uma dor profunda de onde não se sabe a origem.

    F. D. Oliver disse...

    Eu próprio, admito, não me senti muito confortável em terminar hoje. Certas coisas são incertas demais para se valer de um ponto final. Você tem essas "chaves" para um todo, mesmo que o todo não se importe em compreende-lo, mas ainda assim, há de se compreender que as "chaves" continuam a ser necessárias, com diria Antonin Artaud.

    Ábia Costa disse...

    Muito bom, uma mistura interessante...lembra Augusto dos Anjos...aplausos de pé


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